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01/06/2004
Jornal Beira do Rio (Brasil) - Organização em defesa de uma Amazônia igualitária

A secretária-geral permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Dra. Rosalía Arteaga, fez sua primeira visita a Belém, depois que tomou posse no cargo, em maio deste ano, para se encontrar com os organismos envolvidos no desenvolvimento sustentável da Amazônia. Na visita ao Pará, a equatoriana Rosalía Arteaga, anunciou como objetivo de seu mandato de três anos, renovável, um
instrumento efetivo para o desenvolvimento sustentável e integrado dos oito países membros - Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana,Peru, Suriname e Venezuela. E a primeira meta é a aprovação do plano estratégico da organização e a abertura da sociedade civil. Rosalía Arteaga estava entre os convidados do Seminário Internacional Populações da Pan-Amazônia: Bases para um Programa de Cooperação Sul-Sul, realizado pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA (Naea), em parceria com a Associação de Universidades Amazônicas (Unamaz). Rosalía Arteaga, ex-ministra da Educação e vice-presidente do Equador, e eleita por unanimidade pelos oito países membros da organização, foi entrevistada pelo Beira do Rio.

O que vem a ser a OTCA ?

Primeiramente o Tratado de Cooperação Amazônico surgiu a partir de uma iniciativa do governo Geisel, em 3 de julho de 1978, firmado por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Era parte de uma estratégia para deslocar a região da dependência norte-americana.Em 2002, durante a 7ª Reunião dos Chanceleres na Bolívia, decidiu-se criar a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Transformou-se no primeiro organismo internacional da região, com sede permanente em Brasília. É o comprometimento de ações conjuntas para o desenvolvimento, na busca por condições de vida mais igualitárias na região.

Qual a missão de sua visita ao Pará?

Além de responder ao convite do Naea, vim analisar projetos de desenvolvimento dos diversos organismos voltados às questões da região. Poema, Museu Goeldi, Sebrae, por exemplo.Fiquei impressionada com as idéias que estão sendi geradas aqui. O Poema da UFPA, especialmente, está numa trajetória muito importante para a Amazônia. Nós da OTCA queremos ligar as ações das universidades às instituições
da Amazônia para uma integração efetiva de nossos países. Estou impressionada também com o Poemar, uma das cooperativas do Poema. É um projeto interessante,com importantes parcerias com empresas do setor privado, para o apoio mais aprofundado às pequenas povoações. É um exemplo a seguir.

O que a OTCA tem a oferecer no seu início de mandato?

A organização é nova e em um mês e meio de mandato já assinou um convênio com a FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) para a discussão de temas de eixos de sustentabilidade. Temos um projeto de combate à malária e um trabalho de controle epidemiológico nas fronteiras. E o mais importante dos projetos: a
formulação do programa de Gestão Integrada e Sustentável dos Recursos Hídricos da Bacia Amazônica,que envolverá US$ 30 milhões. É uma proposta da Agência Nacional de Águas (ANA). Vamos assinar com a Organização dos Estados Americanos (OEA), e a Cooperação Alemã um convênio para a proteção dos recursos hídricos da Amazônia. Vinte por cento da água do planeta estão aqui na Amazônia. A região é importante para o mundo pela água, pelo oxigênio,pela biodiversidade. Nós temos povos dos mais pobres e essas assimetrias têm que ser corrigidas, e o mundo vai ter o que pagar, também, por aquilo que precisa: a água e o oxigênio.

A diferença de país para país é gritante na Amazônia. De que forma a OTCA vê essa questão?

Eu tenho um passado que me possibilita o conhecimento maior, como ex-ministra e vice-presidente de meu país. Já tenho um conhecimento prévio, por exemplo, de questões de desigualdades. Estou tendo a oportunidade de visitar outros países e vou continuar fazendo, para ter a relação direta com as cidades para fazer um estudo mais abrangente de seus povos, o que vai ser muito importante.

Mas, essas diferenças estão em populações que vivem em localidades distantes,que enfrentam questões como a violência, por exemplo ?

Nós temos que ser muito respeitosos em relação a soberania dos países. Cada um tem seu problema com a questão econômica, com a violência. Mas, a questão é investir nas discussões. A violência, por exemplo,pode ser combatida com o melhoramento da qualidade de vida dessas populações. E qualidade de vida se conquista através de ações de organismos como o Poema. É preciso apoiar essas ações. É o que a OTCA procura fazer.

Então as universidades têm um papel importante nessas questões?

De fato, as universidades são muito importantes. Elas não podem ficar de costas para os povos,às indústrias,às relações interorganizacionais. As universidades têm que estar de mãos abertas e de mentes abertas. O conhecimento em nossos países está nas universidades. Daí a questão da responsabilidade delas como parceiras.Estou absolutamente segura disso e nós já estamos trabalhando nos temas para apresentar, conjuntamente, as universidades amazônicas, através da OTCA, à comunidade européia.